09/04/2011

Jogo de encaixe

Vez ou outra as pessoas tentam nos colocar em caixinhas, afirmando que "mulher é isso", "paulista é aquilo", "virginiano é coisa e tal".

Não entendo o porquê desse anseio em definir-se de fora, a partir de grupos, como se todos devêssemos corresponder a todos os traços de todos os grupos de que fazemos parte!

Qual é a grande crise, afinal, em reconhecer que cada pessoa é um conjunto único de traços que ora coincidem e ora se opõem aos de outros seres humanos?

15/01/2011

Involuída

Minha consciência não dá conta do turbilhão de informações trazidas pelos sentidos.

Eu, ser incompleto, acabo brinquedo do inconsciente, no que lhe atinge despercebido

e passo a vida à mercê de falhas de sistema,

de confusõe

s entr

e o quê é o quê e qual deles faz algum sentido;

vivo uma vida de b

icho involuído,

ancestral de um

a raça sensível,

que vai, talvez, presci

ndir desse inconsciente e dessas palavras difíceis só pra tentar apreender o que fugiu do desenho formado pelo turbilhão de informações inapreensíveis.

Cortinas

Não havia me dado conta do quanto poderia crescer.

Só sacudida de uma experiência a outra as cortinas foram se abrindo, muito lentamente.

O tamanho delas é o maior mistério, ainda.

Ao pregar a humildade, me ensinaram a admitir que a cortina é grande, talvez infinita, que nunca paramos de aprender. Mas esse "grande" não é visível.

Posso admitir que ainda há muito a evoluir por conclusão lógica, sem contudo me dar conta disso, como quem observa uma conta de soma e aceita como verdadeira, sem saber se duas maçãs mais quatro peras resultarão em seis frutas.

Admitir não é perceber. É somente com as experiências, somente com a percepção do quão infantil era ontem que consigo me surpreender com o quanto tinha que mudar e não sabia; com o quanto meu orgulho não me deixaria perceber que o que eu era provocaria fracassos doídos, caminhos perdidos e tempo despendido olhando para o lado errado.

Estava errada e não sabia. Estava verde, diria. E por mais que o perceba, e que seja tentador transpor essa percepção ao presente, não consigo.

Simplesmente porque não posso dizer o que será de mim amanhã.

Simplesmente porque não posso evoluir agora por experiências que ainda não vivi; assim como uma pessoa não pode apaixonar-se por quem não conheceu ainda.

Resta o apreço pelo que há por vir, pelas cicatrizes que abrirão caminho para a pele mais firme; para os carinhos que desatarão as amarras mais sem sentido.

Resta respeitar quem fui, com seus defeitos que certamente determinaram o caminho seguido; com suas qualidades também - essas, convenientemente associadas a uma imagem tolerável de mim.Orgulho de fresta visível.

Resta analisar, sempre que possível, o que poderia ter sido, à luz dos conhecimentos adquiridos, e mais ainda, o que pode ser.

E resta ser grata, especialmente pelas pessoas do caminho, que são senão as únicas, as mais importantes partes disso.

31/12/2010

Caminho sem volta



Usuária há alguns anos da internet, não posso negar que ela tem papel fundamental em quem sou e na pessoa que se desenvolve em mim. Mais do que a ferramenta em si, entretanto, o mais importante foram as múltiplas relações estabelecidas com pessoas.
Nessas relações tive a possibilidade de conhecer outras culturas, outras ideias e de encontrar gente que pensa mais como eu do que as pessoas do meu convívio físico. Algumas delas, importantes, passaram a fazer parte desse convívio a partir da empatia percebida pela internet.
Mas como toda relação entre pessoas, nem tudo foi flores. Se por um lado publiquei meu livro praticamente por meio virtual, também fui embromada por um projeto de antologia com péssima organização; se conheci pessoas com filosofias de vida impressionantes, também me deparei com outras que resistem a sair da mediocridade; se conheci meu companheiro, com quem hoje vivo e aprendo muita coisa boa, também conheci a ignorância humana manifesta de diversas formas.
Talvez a internet como ferramenta tenha sua parcela de culpa pelos caminhos tortuosos, afinal ela não permite aquele insight inicial, não nos fornece tantas informações a respeito das pessoas a ponto de nos permitir discernir cedo com quem estamos lidando, e podemos nos envolver em boas furadas por conta disso. Mas é essa mesma característica que me permitiu ampliar horizontes a despeito de preconceitos; e de ter conversas profundas com pessoas de outra língua, com a qual não trocaria muitas palavras cara a cara.
O que tiro disso tudo é que a internet é um bom instrumento, desde que nos mantenhamos atentos ao que ela pode permitir e cuidadosos com o que ela pode provocar; ou seja, desde que desenvolvamos nossa inteligência com relação ao tipo de relacionamento e aos sinais sociais que existem nesse meio.
Posso dizer que aprendi, que mudarei meu posicionamento de acordo com isso e que pretendo aprender muito mais nesse canal largo que se apresenta à minha frente.

13/12/2010

Ponte de Intrigas


Fuja da Ponte de Intrigas
quando a questão é evoluir.
Busque aperfeiçoamento na crítica,
evolução no conflito e amor incondicional
ao desenvolvimento do ser humano,
seja o outro
ou você mesmo;
pois enquanto a sua melhor defesa for o ataque,
você perderá oportunidades incríveis de crescer
dando socos em pingos d´água
para ver se a chuva para.