Expressões negativas para calar o pensamento:
"pare de perguntar tanto", "pra quê saber disso?", "você vai acabar virando um chato".
Expressões positivas para calar o pensamento:
"tudo vai dar certo, não se preocupe", "confie que no final a resposta surgirá", "basta querer".
E se ousássemos pensar?
As minhocas da minha cabeça às vezes precisam falar e eu escolhi esse lugar. Caso queira comentar, puxe uma cadeira e sinta-se à vontade. Minhas minhocas não são antissociais.
22/07/2017
11/07/2017
Sol
E um dia alguém apresentou-lhe o sol. Você ficou maravilhada
com aquele brilho e beleza. Quis fazer um sol também. Pegou uma tocha dada por
alguém que amava o sol como você e
marchou rumo à construção de uma grande chama, que nos aquecesse mais e iluminasse
mais, por estar mais perto.
E quando a noite chegou, você viu quão importantes eram as
chamas, cada uma delas. E o dia voltou, e a noite, e o dia... E você viu que as
tochas eram tochas e o sol era o sol. Decepcionada pela distância do seu sonho,
esqueceu o valor do fogo e até se acostumou com a noite, sabendo que seria
alternada pelo dia e que você poderia até tirar proveito disso, descansando.
Mas as tochas permaneceram, e você achou bom. Alguém inventou
a luz elétrica e você aproveitou. E de repente você se viu acostumada com a
ideia de que existem noites e dias, tochas e sonhadores e construtores de luz,
e de que o sol é um astro sempre presente na sua vida. Um astro no céu. E você
se viu acostumada com o mundo, sem querer segurar uma tocha, sem querer mudar o
mundo. Sem querer.
01/07/2017
Metáforas
Vendo a política brasileira temos a sensação de que, ao viver na França, somos um casal sozinho em liberdade vendo nossa família e amigos sequestrados para toda a vida por pessoas que vão ficar fazendo teatro midiático enquanto roubam seus direitos e recursos. E além de sustentar um espetáculo de mal gosto, ainda tem gente que toma partido por um ou outro sequestrador.
27/06/2017
Carta a uma pessoa honesta
Durante a vida você vai
encontrar muitas pessoas que conquistam sucesso injustamente e tantas outras
com talento que não conseguem se promover.
Vai ver frustrações de
partir o coração e injustiças de dar raiva.
Em alguns momentos será
necessário simplesmente parar de olhar para a (in)justça do mundo e tentar o
seu melhor para alcançar os seus sonhos, sabendo que não há garantia nenhuma de
que você conseguirá, mas que pra conseguir é preciso tentar, e que se der
certo, você tem todo o direito de usufruir disso, pois neste mundo, até a justa
recompensa pelo seu esforço é um privilégio.
14/06/2017
Publica-te
Publica-te e liberta-te do
mundo tortuoso dos que se entregam ao que escrevem sem dar a mínima ao que quer
que isso represente, deixando as palavras fluírem vagarosas, vigorosas como
quando nasceram. Pareciam gritar antes de serem paridas, atormentar antes de
serem organizadas no papel e se transformarem finalmente em um monte de
palavras que agora parecem tão comuns.
Deixe que saiam correndo
peladas, sem a vergonha que lhe colocam as pessoas com seus tapas de crítica
afiada no amolador das experiências e opiniões particulares.
De que vale abandonar o
mundo dramático em que reconheces a si mesmo em prol de uma tranquilidade
mórbida, em que não se perca nem nada se ganhe, mas fica só tentando
identificar um caco de passado angustiante entre espelhos perfeitos e falsos, feitos
para exposição?
Publica-te e arrisca perder
contato com o submundo dos poetas que teimam em serem eles mesmos a despeito da
publicidade bem comportada e com contrato assinado. Põe na rua o teu drama, que
por mais infantil que seja, quando publicado é a chave que abre a corrente de
sentimentos e pensamentos que jorram sobre papel ou qualquer meio capaz de
absorver palavras rebeladas contra as boas normas do que vai ser lido por seus
críticos mais sem paixão.
Terás sim que podar as arestas
no limite da sua coragem de autoexposição. Terás que limpar o sangue escorrido
ao redor da obra, longe da vista dos passantes. Mas isso nunca vai te impedir
de sangrar de novo, de sentir de novo genuinamente a emoção dos escritores
descomprometidos com o público. Se abrires mão do público, no entanto, saberás
sempre metade da história. A metade que mais aparenta dor, mas que é a mais
acomodada; a que parece guardar tesouros, mas nunca foi avaliada. Arrisca-te a
ser ridicularizado e desfaz algumas fantasias que podem estar te prendendo em
um mundo de autoimolação.
Mas nunca esqueça, depois
de sair a público, de voltar de vez em quando a jogar-se ao vento em letras
perdidas, em pensamentos. Só assim as conexões com outros pensamentos bastardos
se fazem poderosas. Só assim nos arremessa de novo ao fundo de que sentimos
querer sair sem deixar de admirar a beleza.
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